Um belo dia, por volta dos meus 6 ou 7 anos, ouvi uma música que me chamou a atenção, chamada “Mother’s Little Helper” de um LP intitulado Aftermath... aquela guitarrinha martelava minha cabeça e não conseguia parar de ouvi-la...
Minha infância foi marcada por várias descobertas musicais, oriundas dos discos do meu amado pai e do meu tio, mas os Stones foram um marco!
Como um efeito dominó, os Stones foram fazendo parte da minha cultura musical, até mesmo quando descobri minha paixão pelo Blues, no inicio do anos 90 após assistir ao filme “A Encruzilhada”. Me apaixonei imediatamente pelo som de Robert Johnson e comecei a tocar violão apoiado pelo meu bottleneck improvisado com um vidro de remédios.
Foi então que ouvi Love in Vain, regravada pelos Rolling Stones (que foi batizado graças à uma música de Muddy Waters – o pai do blues elétrico) e entendi porque o blues se tornara a minha nova paixão...
Na adolescência, minhas professoras de colégio me incentivaram a escrever sobre as minhas idéias e essas, foram se tornando aquilo que eu queria ser – um cronista musical. A caminho da faculdade, a torcida na cidadezinha do interior do Paraná era para me ver jornalista, mas acabei optando pela publicidade.
Devido a questões financeiras e intelectuais, não pude ver os shows dos Rolling Stones no Brasil (no primeiro, tinha o ingresso – presente de meu irmão – mas não tinha dinheiro para a viagem a SP; no segundo, tinha uma prova importante na faculdade), mas minha profissão de publicitário e as mãos de Deus, brilharam uma luz sobre mim...
Tive a oportunidade de planejar o lançamento do espetacular filme feito por Martin Scorsese para os cinemas…
Ao ouvir do cliente o título em que trabalharia, meus olhos brilharam e agarrei-o como meu filho pródigo para fazer o melhor possível, era uma questão de realização pessoal.
Lotamos as 3 salas de pré-estréia, fizemos eventos comemorativos e como a canção As Tears Go By, as lágrimas continuam saindo involuntariamente de emoção pela realização desse sonho.
Queria muito que minha família e amigos de infância estivessem ali comigo na sala de cinema, vendo essa obra-prima que é Shine a Light, mas como a distância é a pior coisa que nos separa, estive muito bem acompanhado pela mulher que amo e pelas mãos de Deus, me agraciando! “May the good Lord shine a light on you”.
Wagner Gomes, 30 anos, é publicitário e louco por rock and roll e propaganda. Agradece a Deus pelo sonho realizado e aos amigos Julio Sant’Anna, Boizão, Ubaldo, Evandro, entre outros tantos, por acreditarem que um dia ele conseguiria fazer algo para conciliar profissão e realização.
“Vamos trabalhar que a vida não é só festa. Ainda bem que o meu trabalho é uma festa !” waggom.




